Residência Médica

Programa de Residência Médica em Cancerologia Clínica

            O Hospital de Câncer de Barretos possui atualmente cinco vagas anuais credenciadas pelo MEC para o programa de Residência Médica em Cancerologia Clínica. O ingresso ao programa é conseguido através de prova aplicada pela Secretaria de Estado da Saúde do Governo do Estado de São Paulo, conforme edital. O programa funciona desde 2007 e já formou diversos Oncologistas Clínicos que hoje atuam em diversos estados da federação. A preceptoria trabalha no Hospital de Câncer de Barretos em regime de dedicação exclusiva e é composta por especialistas da área reconhecidos pelo MEC/AMB e/ou através do TECA (título de especialista em cancerologia). Além disso, mais de 50% da preceptoria é composta de pós-graduados e pós-graduandos nas modalidades de Mestrado ou Doutorado. É peculiaridade do programa a grande proximidade do Médico Residente e da Preceptoria nas suas atividades programáticas. Além disso, o Médico Residente terá a oportunidade de estar em contato com os diversos tipos de câncer de forma homogênea, já que terá preceptores dedicados a cada especialidade secundária em espaço físico conjunto em tempo integral (workstations). Faz parte do conteúdo programático, a atuação no Grupo de Tumores da Mulher, Grupo de Tumores Genitourinários, Grupo de Tumores do Aparelho Digestivo, Grupo de Tumores da Cabeça e Pescoço, Grupo de Tumores do Tórax, Grupo de Tumores do Tecido Conjuntivo, Pele e Sistema Nervoso Central e na Unidade de Pesquisa Clínica.  A distribuição das atividades em cada um dos três anos de formação segue a Resolução CNRM No 01, de 31 de julho de 2007.

            Ciente da má distribuição de especialistas médicos no território nacional, o Hospital de Câncer de Barretos tem buscado a descentralização e expansão do atendimento e hoje conta com duas Unidades extras ( Unidade Jales-SP e Unidade Porto Velho - RO). O residente terá a oportunidade de estabelecer rodízio programático opcional nestas unidades e, com isso, poder adquirir experiência na abordagem do paciente oncológico, frente a diferentes aspectos culturais e sócio-econômicos. Adicionalmente, poderá estabelecer perspectivas de emprego, quando egressos do programa, em áreas de maior demanda para a especialidade.

            Desde junho de 2011, o Hospital da Câncer de Barretos firmou acordo com “The University of Texas MD Anderson Cancer Center” e passou a integrar a rede de instituições irmãs deste renomado centro americano de tratamento contra o câncer. Dessa forma, o residente terá também a oportunidade de estabelecer rodízio programático opcional neste centro, o que poderá contribuir de maneira diferenciada em sua formação profissional.

História da Oncologia Clínica 

A Residência Médica é o método mais tradicional de formação especializada do médico. A Universidade Americana John’s Hopkins foi quem instituiu um modelo de ensino médico de graduação, baseado nas ciências básicas e na medicina hospitalar, na instrução clínica e na pesquisa científica, que iria influenciar todas as escolas daquele país e posteriormente do mundo. Ali fora usado pela primeira vez o termo “Residência”, para designar um treinamento especializado avançado, seguindo o período de internato. Nesse período de treinamento, os estudantes assumiriam responsabilidades progressivas no cuidado dos pacientes, mas continuariam sob supervisão de staffs do hospital e da faculdade (preceptores). Isso permitiria a progressiva autonomia do médico no cuidado à saúde.

            Em 1889, no Departamento de Cirurgia da Universidade John’s Hopkins, William Halsted criou o primeiro programa regular de residência médica, embora já existisse previamente um tipo de treinamento semelhante tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. O programa criado por Halsted era baseado na responsabilidade progressiva do médico recém graduado nos cuidados com os pacientes, representando um marco histórico na especialização médica em geral. Em 1890, William Osler, médico de Halsted, implantara também sistema semelhante para a Clínica Médica da mesma Universidade John’s Hopkins. Ao perceber a melhoria técnica do médico após o treinamento, houve uma difusão do sistema pelo território americano e um crescimento do interesse de hospitais bem qualificados pelos ex-residentes, para assumirem papel no seu quadro clínico, em postos de chefia e de ensino.

            No Brasil, houve a implantação dos programas de residência quase simultaneamente no Rio de Janeiro e em São Paulo. O primeiro programa oficial de residência médica aconteceu no Departamento de Ortopedia da Universidade de São Paulo (USP), em 1944, seguido por um programa de residência no Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro, em 1948. Durante a década de 70, os médicos residentes tinham preocupação com a necessidade de regulamentação da residência e iniciaram uma intensa luta política pelo aprimoramento da residência médica. Essa luta reafirmava a sua função primordial de treinamento em serviço, com sua característica peculiar de ser, ao mesmo tempo, uma modalidade de trabalho e de formação. Num momento político extremamente autoritário, foi criada então a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) no antigo Ministério da Educação e Cultura (MEC) em 1977. Essa comissão passou a regulamentar a residência, como uma questão social e de trabalho, não apenas de ensino.

            Atualmente, a Lei 6.932 de 7 de julho de 1981, dispõe sobre as atividades do médico residente, e dá outras providências. O primeiro artigo define que a Residência Médica constitui modalidade de ensino de pós-graduação, destinada a médicos, sob a forma de cursos de especialização, caracterizada por treinamento em serviço, funcionando sob a responsabilidade de instituições de saúde, universitárias ou não, sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional. Outras Leis foram subsequentemente criadas, assim como Resoluções, que também regulamentam a residência médica no Brasil.

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Bibliografia: Botti, Sérgio Henrique de Oliveira. O Papel do Preceptor na Formação de Médicos Residentes: um estudo de residências em especialidades clínicas de um hospital de ensino. / Sérgio Henrique de Oliveira Botti. Rio de Janeiro : s.n., 2009. v, 104 f., graf. Orientador: Rego, Sergio Tavares de Almeida. Tese (Doutorado) - Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Rio de Janeiro, 2009