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Câncer: uma doença e sua história

 

No ano passado, os principais chefes de estado do mundo se reuniram na conferência da ONU (Organizações das Nações Unidas) para discutir sobre a redução do impacto das doenças crônicas não-transmissíveis. Entre as doenças abordadas (diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas) estava uma das mais alarmantes e conhecidas patologias da humanidade: o câncer. A preocupação com o tema escolhido justifica-se por seus números: segundo a União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) somente em 2012, 12, 7 milhões de pessoas no mundo serão diagnosticadas com câncer, sendo que destas, 500 mil são brasileiras.  

A abrangência dessa doença que atinge pessoas de todas as nacionalidades, idades, raças e classes sociais, fez com que ela se popularizasse como nenhuma outra durante o século XX e XXI. Ao mencionar a palavra “câncer”, já existe no imaginário comum uma série de imagens, idéias e sentimentos ligados às etapas do tratamento, às causas da doença e suas formas de prevenção. 

 

O aumento do número de casos da doença atualmente leva a crer que antes a doença não se manifestava da mesma forma.  No entanto, como revela o oncologista indiano Siddhartha Mukherjee em entrevista para a Revista Veja (autor do livro “O Imperador de Todos os Males” sobre a história do câncer) o câncer tem uma relação contraditória com a qualidade de vida e os avanços da vida moderna: “As pessoas não viviam o suficiente para que a doença se manifestasse de maneira significativa nas populações. A relação do câncer com a longevidade é direta. Quanto mais vivemos, maiores são os riscos de surgimento da doença. (...) Ao ampliar nosso horizonte de vida, a civilização não causou o câncer, mas permitiu que ele se manifestasse.”

 

Uma doença milenar

Embora exista o registro de um dos mais antigos tumores no ser humano (um maxilar com sinais de linfoma, datado como4.000 A.C.), não há um primeiro registro científico inaugural que fale sobre a doença, pois egípcios, persas e indianos, séculos antes de Cristo, já faziam menções aos tumores malignos. Mas foi a escola de medicina de Hipócrates na Grécia (pioneiros por separar a medicina da magia) que primeiramente definiu a doença como um tumor duro que, muitas vezes, reaparecia depois de extirpado. Desta época até o século XVI, os conhecimentos gerais de medicina consideravam que a doença era um desequilíbrio dos fluídos corpóreos e/ou um desequilíbrio do sistema linfático.

Somente no século XVIII, com os estudos do anatomista italiano Giovanni Battista Morgagni somados ao médico francês Marie François Xavier Bichat, que o câncer passou a ser entendido de forma diferente. O patologista italiano foi responsável por caracterizar o câncer como uma unidade específica localizada em uma parte do corpo e Marie Bichat colaborou para a compreensão que os órgãos tinham em diferentes tecidos que, por sua vez, eram afetados por diferentes tipos de câncer.  Ainda neste mesmo período o médico Joseph Claude Anthelme Recamier foi o primeiro a identificar um caso de metástase causada pela corrente sanguínea ou linfática.

Além dos avanços incipientes da pesquisa celular, foi somente em 1860 que a doença ganhou um novo patamar com advento da cirurgia, possibilitado tanto pelo início da utilização de anestésicos quanto pelas técnicas de assepsia e anti-sepsia criadas pelo cirrugião Joseph Lister. No final do século XIX, com o aumento dos conhecimentos de técnicas cirúrgicas e o crescente interesse dos médicos pela oncologia, começaram a surgir os primeiros casos de sucesso em procedimentos cirúrgicos como a remoção de um tumor no estômago (1881) e a mastectomia (1890).

Século XX: institutos e outras ciências a favor da oncologia

A descoberta do fisco alemão Wilhelm Konrad Roentgen (1845-1923) trouxe uma nova etapa não somente para estudos do câncer, mas para a medicinaem geral. Aoobservar que a passagem de uma corrente elétrica em tubos de vácuo produzia uma radiação capaz de marcar uma chapa fotográfica e atravessar objetos sólidos, Roentgen criou o raio X. Já nas primeiras décadas do século XX, o procedimento já era utilizado para tecer diagnósticos sobre tumores e outras patologias. 

A técnica precária da utilização do raio X fazia com que a elaboração de uma chapa levasse cerca de 30 minutos para ser concluída. Esse tempo alto de exposição foi visto como um aspecto negativo, pois gerava irritações e queimaduras na pele dos pacientes - além de afetar os pesquisadores que trabalhavam com essa nova tecnologia. Mas ao longo do tempo, alguns médicos observaram que essas exposições mais intensas também causavam a destruição dos tecidos e de lesões cancerígenas.

Paralelamente, a cientista Marie Curie em 1901 descobriu dois novos elementos químicos com uma alta potencialidade de radiação: Polônio e o Radio. Ao conseguir isolar a atuação do rádio, a francesa abriu espaço para que outros pesquisadores pudessem estudar em 1905, o poder do elemento para destruir células malformadas e destruir tumores malignos. O desenvolvimento de tubos de raios catódicos (1913) e geradores potentes (1921) conseguiram controlar a intensidade dos raios e possibilitar sua utilização segura.   

O crescimento do interesse científico de diversas áreas pelo câncer propiciou a fundação de inúmeros centros especializados como o German Central Committe for Câncer Research na Alemanha (1900), Americam Assosciation for Câncer (1907) e o Instituto Radium de Paris (1919) - fundado pelo governo francês e pela Marie Curie. Com as novas políticas de paz implantadas após o final da Primeira Guerra Mundial, os países criaram diversas associações de saúde e institutos específicos para a doença com troca de conhecimentos entre eles – ação que chegou a inspirar, por exemplo, o surgimento do INCA (Instituto Nacional do Câncer) no Brasil em 1948.

O período entre o término da Primeira Guerra e o início da Segunda Guerra foi marcado pelo surgimento de uma das práticas mais importantes de tratamento para o câncer: a quimioterapia. O gás mostarda utilizado como arma química durante os combates é uma substância altamente tóxica, cujo contato direto, causa a morte em cerca de poucos minutos. No entanto, algumas pesquisas médicas conduzidas com soldados sobreviventes na época, mostraram que o contato moderado com a substância causava a diminuição de leucócitos no sistema linfático e na medula óssea – indicando um caminho para combater a leucemia.

Em 1941, os farmacologistas americanos Alfred Gilman e Louis Goodman, demonstraram em cobaias animais que a substância causava a redução de alguns linfomas e, posteriormente, concluiriam que também proporcionava o desaparecimento de tumores em pessoas doentes. No ano seguinte, os farmacologistas em parceria com o cirurgião torácico Gustav Linskog, desenvolveram e aplicaram a primeira droga para tratamento de câncer, a “Mecloretamina” - droga utilizada para casos de linfoma de Hodkin e leucemia.

Após a criação de algumas drogas de combate ao câncer, uma descoberta feita pelos médicos e pesquisadores James Holland, Emil Freireich e Emil Frei em 1965 mudaria os rumos do tratamento quimioterápico. Ao assimilar a mesma estratégia de tratamento utilizada para o tratamento de tuberculose com antibióticos (em que cada droga associada deve combater um agente específico da doença), foi criado um método para dificultar a metástase e a recorrência dos tumores.

Os primeiros estudos conduzidos dessa forma ocorreram em centros americanos como o St. Jude Children´s Research Hospital e o National Câncer Institute e abriram caminhos para novos métodos, como a terapia de anticorpos monoclonais (simulação do sistema imune do paciente e atacar células tumorais específicas), terapia adjuvante (terapia após a cirurgia), neo-adjuvatnte (terapia realizada antes da cirurgia) e outras.

Fontes: 

De uma doença desconhecida a um problema de saúde pública: INCA e o controle de câncer no país. TEIXEIRA, Luiz Antônio. 172 p. Rio de Janeiro. 2007http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doenca_desconhecida_saude_publica.pdf 

Revista Veja - Livro traça a história da doença e da guerra contra ela http://veja.abril.com.br/noticia/saude/cancer-livro-traca-historia-da-doenca-e-da-guerra-contra-ela