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Doação de Medula Óssea: Hospital de Amor esclarece as principais dúvidas

 

Muitas pessoas têm o desejo de se tornar um doador de medula óssea. Porém, o receio por conta das diversas inverdades sobre o tema, as dúvidas frequentes sobre o procedimento e a falta de conhecimento sobre a importância do cadastro de doadores as impedem. O fato é que uma doação, principalmente quando se trata de um transplante de medula óssea, pode salvar vidas. Pensando nisso, o Hospital de Amor entrevistou o coordenador do laboratório de transplantes da instituição (Laboratório de Imunogenética – HLA), Rafael Costa, e elencou as principais questões.

 

Perguntas do doador:

- O que é medula óssea?
É um tecido líquido-gelatinoso que ocupa o interior dos ossos, sendo conhecido popularmente por “tulano”. Na medula óssea são produzidos os componentes do sangue: hemácias (glóbulos vermelhos), leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas. Pelas hemácias, o oxigênio é transportado dos pulmões para as células de todo nosso organismo e o gás carbônico é levado destas para os pulmões, a fim de ser expirado. Os leucócitos são os agentes mais importantes do sistema de defesa do nosso organismo, nos defendem das infecções. As plaquetas compõem o sistema de coagulação do sangue.

- Quando é necessário o transplante de medula óssea?
Em doenças do sangue como a anemia aplástica grave, outras anemias adquiridas ou congênitas, e na maioria dos tipos de leucemias, como a mieloide aguda, mieloide crônica e a linfoide aguda. O transplante pode ser indicado para tratamento de um conjunto de cerca de 80 doenças, incluindo casos de mieloma múltiplo, linfomas e doenças autoimunes.

- Como será a doação, no caso de eu ser compatível com algum paciente?

Antes da doação, você fará um exame clínico para confirmar o seu bom estado de saúde. Não há exigência quanto à mudança de hábitos de vida, trabalho ou alimentação. A doação é feita por meio de um procedimento no centro cirúrgico, sob anestesia geral ou peridural, de aproximadamente 90 minutos, em que são realizadas de 4 a 8 punções com agulhas nos ossos da bacia (cristas ilíacas), para que seja aspirada parte da medula. Retira-se um volume de medula em torno de 15 ml por quilo de peso doador, podendo chegar até 20 ml por quilo. Esta retirada não causa qualquer comprometimento à sua saúde e você recebe alta no dia seguinte à doação.

Há ainda um outro método de doação chamado coleta por aférese. Nesse caso, o doador faz uso de uma medicação por cinco dias com o objetivo de aumentar o número de células-tronco circulantes no seu sangue. Após esse período, a pessoa faz a doação por meio de uma máquina de aférese, que colhe o sangue da veia do doador, separa as células-tronco e devolve os elementos do sangue que não são necessários para o paciente. Não há necessidade de internação nem de anestesia, sendo todos os procedimentos feitos pela veia. A decisão sobre o tipo de doação é exclusivamente dos médicos.

- Vou precisar tomar anestesia para fazer a doação?
Como a doação é um procedimento que pode apresentar desconforto e dor, é necessária a anestesia. Na maior parte das vezes, é usada anestesia geral. Em poucos casos, anestesia peridural. Mesmo assim, o doador recebe alta em 24hs.

- Como é o transplante para o paciente?
Depois de se submeter a um tratamento que destrói a própria medula, o paciente recebe a medula sadia como se fosse uma transfusão de sangue. Essa nova medula é rica em células chamadas progenitoras, que, uma vez na corrente sanguínea, circulam e vão se alojar na medula óssea, onde se desenvolvem. Durante o período em que estas células ainda não são capazes de produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas em quantidade suficiente para manter as taxas dentro da normalidade, o paciente fica mais exposto a episódios infecciosos e hemorragias. Por isso, deve ser mantido internado no hospital, em regime de isolamento. Cuidados com a dieta, higiene pessoal e esforços físicos são necessários. Por um período de duas a três semanas, o paciente precisa ser mantido internado e, apesar de todos os cuidados, os episódios de febre são quase uma regra no paciente transplantado. Após a recuperação da medula, o paciente continua a receber tratamento, só que em regime ambulatorial, sendo necessário, por vezes, o comparecimento diário ao hospital.

- Há riscos para o doador?
Os riscos são poucos e relacionados a um procedimento que necessita de anestesia. O relato médico de problemas graves ocorridos a doadores durante e após a doação é raro e limitado às intercorrências controláveis. Por este motivo, o estado físico do doador é checado anteriormente, só se habilitando ao procedimento de doação os que têm boas condições de saúde. Em alguns casos é relatada pequena dor no local da punção, dor de cabeça e cansaço. Por volta de 15 dias, a sua medula óssea estará inteiramente recuperada.

- Posso doar medula mais de uma vez?
Sim. A medula se recompõe em 15 dias e você pode realizar uma nova doação, sem nenhum prejuízo à sua saúde. Em geral, recomenda-se que uma segunda doação ocorra somente após seis meses da primeira e, de preferência, utilizando um método de coleta distinto.

Perguntas do Paciente:
- O que é compatibilidade?
Para realizar um transplante de medula é necessário que haja compatibilidade tecidual entre doador e receptor. Caso contrário, a medula será rejeitada. Esta compatibilidade tecidual é determinada por um conjunto de genes localizados no cromossomo 6. A combinação de genes do doador e do paciente deve ser idêntica (100%) ou muito próxima do ideal (90%). A análise é realizada em testes laboratoriais específicos, a partir das amostras de sangue do doador e receptor, chamados de exames de histocompatibilidade (HLA).

- O que acontece quando não há doador compatível?
Quando não há um doador aparentado (um irmão ou outro parente próximo, geralmente um dos pais), a solução é procurar um doador compatível entre os indivíduos da população em geral, representada por diferentes grupos étnicos (brancos, negros, amarelos etc.) e suas combinações. Desta forma, surgiram os primeiros registros de doadores de medula óssea, em que voluntários são cadastrados e selecionados para ajudar pacientes de todo o mundo. Hoje, já existem mais de 25 milhões de doadores em todo o mundo. No Brasil, o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) promove a busca de doadores no nosso país e nos registros estrangeiros.

- O que a população pode fazer para ajudar os pacientes?
É preciso ter entre 18 e 55 anos de idade e gozar de boa saúde. Para se cadastrar, o candidato a doador deverá procurar o hemocentro mais próximo de sua casa para esclarecer dúvidas a respeito da doação. Em seguida, será feita a coleta de uma amostra de sangue (10ml) para a tipagem de HLA (exame de histocompatibilidade que identifica as características genéticas de cada indivíduo). Os dados do doador são inseridos no cadastro do REDOME e, sempre que surgir um novo paciente, a compatibilidade será verificada. Uma vez confirmada, o doador será consultado para decidir quanto à doação. O transplante de medula óssea é um procedimento seguro, realizado em ambiente cirúrgico, feito sob anestesia geral, e requer internação de, no mínimo, 24 horas.

Vida depois do transplante:
Nos primeiros 100 dias após o transplante de medula óssea (TMO), há maior risco de contrair infecções. Nesse período, você deverá ficar próximo à unidade de transplante para facilidade de atendimento. É importante procurar o seu médico se tiver febre, calafrios, mal-estar, problemas com o cateter, mudanças no aspecto das fezes e da urina, alterações na pele, tosse, falta de ar, enjoo, vômitos, dificuldades para tomar a medicação prescrita, dores em qualquer local do corpo e se entrar em contato com portadores de doenças infecciosas.
Durante o primeiro ano após o TMO, as defesas contra infecções ainda não estão recuperadas. Portanto, todo cuidado é pouco para prevenir infecções. Evite contato com animais, plantas, pessoas com doenças contagiosas (como sarampo, catapora, caxumba e outras) e crianças que receberam vacinas de sarampo, rubéola e Sabin (para poliomielite), pois os vírus destas vacinas serão eliminados durante 3 a 4 semanas.
Algumas infecções podem ser transmitidas por germes encontrados em piscinas, açudes, lagoas e praias. Evite tomar banho nesses locais ao longo do primeiro ano depois do transplante e receber muitas visitas. Muitas pessoas podem portar infecções sem perceber.

Cuidados especiais:
- Pele
A pele é especialmente sensível ao tratamento e pode manifestar precocemente a doença enxerto contra hospedeiro (reação das células transplantadas contra o organismo do receptor). Os transplantados têm risco aumentado de câncer de pele, portanto não se exponha ao sol, principalmente no primeiro ano pós-TMO. Use chapéu ou sombrinha, além de roupas que protejam do sol, evite sair de casa nos horários em que o sol esteja mais forte e passe filtro com fator de proteção solar 30 (em gel ou livre de óleo).
Prefira sabonete do tipo hidratante sem perfume, creme hidratante à base de vitamina A, ureia ou lactato de amônia após o banho. Evite maquiagem, cosméticos, perfume e qualquer substância que possa irritar a pele.
- Boca
Os cuidados com a higiene da boca são necessários em todas as etapas do tratamento. É preciso seguir as orientações do cirurgião-dentista especialista que vai avaliá-lo.
Mantenha os lábios umedecidos com hidratante labial com vitamina E ou com manteiga de cacau, óleo mineral e/ou filtro solar labial, quando necessário. Caso a criança receba irradiação no corpo todo na época do desenvolvimento dos dentes permanentes, ela deve ser examinada e acompanhada.
- Uso de máscara
A máscara será necessária sempre que você estiver em contato com outras pessoas, até a liberação do uso pelo seu médico. Três meses depois do transplante não será mais necessário utilizá-la na presença das pessoas que vivem regularmente com você e familiares que não tenham doenças contagiosas. Evite aglomerações em locais públicos, como lojas, supermercados, shoppings e cinemas.
- Mãos limpas
A lavagem cuidadosa das mãos é tão importante quanto o uso da máscara porque muitas doenças são transmitidas por meio do contato manual. É essencial lavar as mãos depois de ir ao banheiro e antes das refeições. Mantenha as unhas aparadas e limpas. A pessoa que estiver cuidando de você também deve lavar as mãos frequentemente.
- Retorno às atividades
É muito importante o seu retorno à vida social após longo período de internação. Portanto, estar em sua casa, com as pessoas com quem convive, será fundamental para sua recuperação.
Não se assuste se perceber algumas dificuldades de memória e leve sempre consigo uma agenda para anotar tudo que for importante. Evite ficar parado o dia inteiro. Mesmo que não tenha vontade, tente se movimentar.
Em geral, depois do período de um ano após o transplante você poderá voltar às suas atividades normais. A recuperação é um processo lento, mas progressivo. Para isso, mantenha um programa de boa alimentação, descanso e exercícios leves.

Como atualizar os dados de doador?
Se você é cadastrado no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME), lembre-se de manter seu cadastro atualizado. No caso de haver um paciente compatível, será preciso encontrá-lo o mais rápido possível. Daí a importância dos seus dados, principalmente endereço e telefone, estarem sempre atualizados.
Em caso de mudança de informações, preencha o formulário ou entre em contato pelos telefones (21) 2505-5656/ 2505-5639 / 2505-5638.

Doenças impeditivas do cadastro e da doação:
AIDS :
Pessoas diagnosticadas com HIV (AIDS) não poderão realizar o cadastro no REDOME.
HEPATITE:
O cadastro será permitido nos seguintes casos:
-Vacinação para prevenção de Hepatite
– Histórico de tratamento completo de Hepatite A

Não será permitido o cadastro em casos de:
– Diagnóstico das Hepatites B e C
– Portadores do vírus das Hepatites B e C (conhecido como infecção crônica)
CÂNCER
– Histórico de lesões pré-cancerosas
– Câncer de pele localizado (células basais ou células escamosas)
– Melanoma in situ curado
– Câncer cervical in situ curado
– Câncer de mama curado
– Câncer de bexiga curado
DOENÇAS AUTOIMUNES
O cadastro será permitido nos seguintes casos:
– Tireoide de Hashimoto e Doença de Grave tratadas com sucesso e situação clínica estável

Não será permitido o cadastro em casos de:
– Artrite Reumatoide
– Lupus
– Fibromialgia
– Esclerose Múltipla
– Psoriase
– Vitiligo
– Síndrome de Guillain-Barre
– Púrpura
– Síndrome Antifosfolipidica
– Síndrome de Sjogren
– Doença de Crohn
– Espondilite Anquilosante
EPILEPSIA
O cadastro é permitido nos casos da doença controlada, com ausência de convulsões no último ano.
DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS
O cadastro é permitido em casos de doenças sexualmente transmissíveis, como Herpes, HPV, Clamídia e Sífilis.
DIABETES
Pessoas diagnosticadas com diabetes deverão consultar o seu médico para analisar a atual situação clínica:
– Geralmente, diabetes bem controlada, seja por dieta ou medicamento, será permitido o cadastro.
– Nos casos de diabetes em que é necessário o uso de insulina ou outra medicação injetável para tratar a própria doença ou doenças renais, cardíacas, do nervo ou dos olhos (relacionadas com a diabetes), o cadastro não será permitido.