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Preconceito pode atrapalhar no diagnóstico do câncer de próstata




O câncer de próstata é o tipo de tumor mais comum entre os homens. E mesmo com tantas campanhas de prevenção da doença, ainda há muito preconceito em relação aos exames. Mas é preciso dizer: tanto o exame de toque retal quanto o de sangue para dosar o PSA são imprescindíveis para o diagnóstico precoce da doença.

Quanto mais cedo o câncer de próstata for descoberto, maiores serão as chances de cura da doença.

Para falar sobre o preconceito que atrapalha tanto a prevenção e o diagnóstico desse tipo de tumor e celebrar o "Dia Internacional do Combate ao Câncer de Próstata", o Hospital de Câncer de Barretos conversou com o psicólogo do Departamento de Urologia da instituição, Mayron Ávila, para falar sobre o assunto e alertar os homens sobre o perigo de não fazer o check-up regularmente. Confira.

1-) O preconceito atrapalha na detecção precoce do câncer de próstata?
Sim. E não apenas de forma indireta, mas diretamente. Embora não se tenha tantos dados quantificáveis produzidos por estudos sobre o tema, é flagrante como o preconceito associado ao exame de toque constitui premissa para que os homens não busquem atendimento e, consequentemente, a detecção precoce do câncer de próstata fica prejudicada.

2-) Por que há tanto preconceito quanto aos exames e a doença?
O preconceito ao exame de toque é proveniente de uma cultura maciçamente machista. Ao longo dos tempos a região anal fora associada à sexualidade promiscua e o uso dessa região para obtenção de prazer foi deslegitimado aos homens, sendo atribuído às relações homoafetivas. Atualmente, ainda temos essa premissa bastante arraigada em nossa cultura, e é a partir dessa premissa que muitos homens se recusam ao exame, numa tentativa, um tanto quanto "irracional", de se preservar, ou legitimar, sua masculinidade. A própria doença da próstata também esta muito associada a essas premissas e preconceitos. Mas aqui, o alvo do receio não tem a ver com a manipulação da região anal, mas sim com o risco de disfunção erétil - condição bastante associada a um prejuízo da masculinidade.

3-) O que pode ser feito para que isso diminua?
A divulgação, informação, campanhas de conscientização, dentro e fora do âmbito da saúde; em casa, entre familiares e amigos, abordando o tema de fora natural. Quando estivermos diante de uma situação onde se fala de sexualidade, saúde sexual, gênero e deixarmos de lado as "piadas prontas" para podermos falar com franqueza e não perdermos a oportunidade de contribuir contra a cultura do machismo e suas consequências, algumas drásticas, isso ajudará muito.

4-) O câncer de próstata é o mais comum entre os homens e que pode levar à morte. Se não houvesse tanta restrição dos homens aos exames, você acha que isso poderia mudar?
Penso que sim. Com mais adesão dos homens aos exames de rastreamento do câncer de próstata, mais deles descobririam a doença em tempo de tratamento adequado, constituindo um "reforço positivo", onde outros seriam estimulados pela vantagem de um bom tratamento e cura.

5-) Por que os homens tem mais preconceito com os cuidados da saúde que as mulheres?
Essa é uma ótima pergunta e que sem dúvida tem mais de uma resposta. Uma delas, a que me chama mais atenção, diz respeito a herança cultural que temos da parte patriarcal. Refiro-me a cultura de que o homem constitui a base, o esteio familiar, por ser o provedor; consequentemente não podendo adoecer, pois assim, não estaria apto a cumprir seu papel. Tal premissa, associada ao conceito popular de "mau agouro", justifica que muitos homens deixem de procurar médicos, embasados que ao procurar irão encontrar algum problema.

6-) Esse tabu tem diminuído? Os homens estão se cuidando mais?
Penso que sim. E acredito que quando a geração atual estiver em vias de fazer seu rastreamento, daqui aproximadamente 15 ou 20 anos, poderemos vislumbrar melhor este efeito. Acho que os esforços daqueles que questionam os papeis, determinações, expressões e relações de gênero, indireta e gradualmente, irão condicionar os homens a cuidarem melhor de sua própria saúde sexual e, no geral, ao passo que tal processo desvela a realidade de que aquele que se cuida não é mais nem menos homem, não é mais nem menos másculo, mas poderá ser sempre um pessoa melhor consigo mesma.