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Orientações para cirurgia de tireóide

Orientações para cirurgia de tireóide

A cirurgia para a retirada de toda a glândula tireóide ou parte dela, é denominada tireoidectomia. O tipo de cirurgia, ou seja, tireoidectomia total ou parcial, irá depender de diversos fatores, que serão discutidos entre o médico e o paciente.

De uma forma geral, a cirurgia de tireóide evolui bem, com raras complicações, mas alguns detalhes devem ser esclarecidos aos pacientes.Toda cirurgia envolve risco de complicações. Apesar da cirurgia de tireóide ter um índice muito baixo de complicações, aqui serão relatadas as mais importantes que o paciente deverá saber:
 
Hematoma

É uma complicação que pode por em risco a vida do paciente. Apesar da grande preocupação do médico para que não haja sangramento no pós-operatório, pode ocorrer um acúmulo de sangue no local operado (hematoma), podendo levar à dor e dificuldade de respirar. Esta é uma condição que tem de ser avaliada imediatamente pelo cirurgião, que pode até decidir reoperar, em caráter de urgência.

Alterações da Voz

Um em cada 10 pacientes que são operados da glândula tireóide, apresenta alguma alteração temporária na voz, enquanto que 1 em cada 250 paciente, pode evoluir com alterações definitivas. Isto ocorre devido à proximidade da glândula com os nervos responsáveis pelos movimentos das cordas vocais. Estas mudanças na voz podem ser rouquidão, dificuldade em alcançar notas agudas ou cansaço ao falar. Normalmente regridem em algumas semanas, mas podem perdurar por vários meses. A reabilitação vocal ocorre através da terapia fonoaudiológica pelo profissional fonoaudiológico.
 
Hipocalcemia

Junto à glândula tireóide, existem as glândulas paratireóides, que em geral são em número de 4. Elas são responsáveis pela produção de um hormônio (PTH) que regula o nível de cálcio no sangue. Após uma tireoidectomia, pode haver uma diminuição temporária ou definitiva da função destas glândulas, levando à queda dos níveis de cálcio no sangue (hipocalcemia). Felizmente, é muito raro ocorrer uma deficiência definitiva na função que é chamada de hipoparatireoidismo definitivo e quase sempre está associada com a tireoidectomia total. O paciente pode apresentar sintomas como: formigamentos nas mãos, nos pés, ao redor dos lábios e nas orelhas que podem evoluir para cãimbras. O tratamento consiste em receber grandes doses de cálcio e Vitamina D. Raramente estes sintomas ocorrem em tireoidectomias parciais.

Cicatriz

Todo corte sobre a pele produz uma cicatriz. Contudo, dificilmente as cicatrizes de tireoidectomia produzem marcas com mau resultado estético, pelo contrário, são normalmente discretas. O tamanho da incisão cirúrgica varia de 3 a 15 cm, dependendo do tamanho da tireóide, aspectos anatômicos do paciente, tipo de cirurgia e da experiência do cirurgião em realizar incisões pequenas.

As cicatrizes hipertróficas (popularmente chamadas de quelóides) são cicatrizes mais grossas, endurecidas e avermelhadas. Fatores como predisposição racial (no caso dos japoneses, por exemplo), localização no corpo (tórax), complicações na ferida cirúrgica (infecções) e aspectos técnicos cirúrgicos estão relacionados com este tipo de complicação. A exposição solar deve ser evitada diretamente sobre a cicatriz, por um período de até 4 meses após a cirurgia. É recomendável o uso de protetores solares (Mínimo FPS 30), com o objetivo de chegar a um melhor resultado estético da cicatriz.

Pré-operatório
Levar para o Hospital
Artigos de higiene pessoal
Exames pré-operatórios vistos no consultório
Ultrassom da tireóide
Laudo citológico da PAAF (punção aspirativa)
Avaliação cardiológica
Raio X de tórax
Exames de sangue
Sobre Medicamentos
Não tomar ASS

Evitar qualquer medicação que contenha ácido acetil salicítrico por 10 dias antes da cirurgia. Remédios como AAS, Aspirina, Buferin ou Melhoral, por exmplo, não devem ser tomados. O uso destes remédios aumenta muito o risco de sangramento durante a cirurgia e no pós-operatório.
Jejum

Na cirurgia de tireóide é necessário um jejum de pelo menos 8 horas.

Tipo de anestesia

A anestesia geral é a utilizada pela grande maioria dos médicos. Poucos serviços utilizam a anestesia local e não foi demonstrado nenhum benefício em relação à anestesia geral, que é mais segura e confortável para o paciente.

Tempo de Internação Hospitalar

É claro que diversos fatores como tipo de cirurgia, complicações clínicas do paciente e evolução pós-operatória, influenciam no tempo de internação. Se não houver nenhum problema, a média de internação é de 1 dia, ou seja, o paciente recebe alta no dia seguinte à cirurgia.

Dreno

O local que foi operado produz uma secreção sanguinolenta que é drenada por um mecanismo de aspiração a vácuo, o dreno. Este dreno, normalmente, está localizado abaixo da incisão cirúrgica e permanece até o momento em que se der alta ao paciente. Quando o dreno é retirado, é normal que fique saindo um pouco de secreção sanguinolenta, pelo orifício do dreno, que vai diminuindo progressivamente até o orifício fechar sozinho, o que dura por volta de 2 dias. Enquanto isso, um curativo com gaze e micropore deve ocluir o local, e deve ser trocado quando ficar sujo de sangue, no mínimo uma vez ao dia. Apenas quando secar o logal da secreção, é que a ferida poderá ser deixada aberta.

Curativo

A incisão de tireoidectomia fica coberta por um curativo de micropore. Este curativo é formado por vários pedaços dispostos em paralelo e tem uma tripla função:

Proteger a incisão de bactérias e sujeiras
Servir como pontos falsos auxiliando no resultado estético da cicatriz.
Proteger do sol, que é um dos grandes inimigos de uma boa cicatrização.

O paciente sai do hospital com este curativo, que só será trocado no retorno de cirurgia, em consultório, após 1 semana. Durante este período, quando o paciente for tomar banho, pode molhar o curativo, devendo secar com uma toalha ou secador de cabelo, após o banho.

Pós-operatório

Náuseas e vômitos

Alguns pacientes que passam por uma anestesia geral, podem sentir náuseas ou vômitos, depois da cirurgia, normalmente estes sintomas ocorrem no dia da cirurgia e tendem a mehorar bastante no dia seguinte, após uma noite de sono. Medicações para náuseas e vômitos, ou anti-heméticos, são prescritos de rotina, para que o paciente não sinta estes desagradáveis sintomas.

Dor

A tireoidectomia é uma cirurgia que apresenta um pós-operatório pouco doloroso, porém é comum sentir uma sensação de garganta inflamada, por até uma semana, após a cirurgia. A cada dia que passa, espera-se uma melhora gradual.
 
Tosse

Os pacientes freqüentemente apresentam tosse no período pós-operatório, devido à manipulação da traquéia e por inflamação das cordas vocais pela intubação, durante a anestesia geral. Este sintoma tende a regredir espontaneamente e medidas como inalação e xaropes podem aliviar os sintomas.
 
Formigamentos e Cãimbras

Pacientes submetidos à tireoidectomia total podem sentir sintomas de formigamentos ou cãimbras que normalmente ocorrem após o segundo dia de pós-operatório. Estes sintomas devem ser tratados com altas doses de cálcio e vitamina D, por via oral, mas pode ser necessário, em alguns casos, a administração de cálcio endovenoso, em ambiente hospitalar, quando o cálcio em comprimidos, não for suficiente.
 
Retorno ao consultório

O retorno para reavaliação pós-operatória ocorre de 7 a 10 dias.
 
Pontos

Os pontos normalmente são retirados 7 a 10 dias após a cirurgia. Alguns tipos de suturas utilizam fios absorvíveis e não precisam ser retirados.
 
Alimentação

Não há restrições alimentares específicas para a cirurgia de tireóide. Opaciente pode sentir um pouco de dor, ao engolir, no dia da operação, recomendando-se uma dieta leve. No dia seguinte , este incômodo é bem menor e normalmente está liberada uma dieta geral, respeitando-se as restrições de antes da cirurgia, como dieta para diabéticos e hipertensos.
 
Restrições

A principal restrição no pós operatório é quanto ao esforço físico. Deve-se evitar atividades como carregar peso, ginástica, correr ou atividades domésticas onde haja utilização de força. Este cuidado visa diminuir o aparecimento de inchaço e possível sangramento no local cirúrgico. Isto não quer dizer que haja necessidade de repouso absoluto. É permitido andar, subir escadas, desde que com moderação. O paciente pode movimentar o pescoço já nos primeiros dias, depois da cirurgia, mas deve evitar traumas na região.
 
Medicações

Antiinflamatórios:

São normalmente prescritos por 3 a 7 dias no pósoperatório. Evitam que o paciente sinta dor. Podem causar incômodos como queimação no estômago.
 
Analgésicos:

Apesar da cirurgia evoluir com pouca dor, estes medicamentos complementam o controle da dor, que os antiinflamatórios
propiciam.

Cálcio:

Seu médico orientará o uso de cálcio, principalmente após cirurgia de tireoidectomia total. Ele é prescrito para evitar ou tratar os sintomas desagradáveis da hipocalcemia, como formigamentos e cãimbras. É utilizado quase sempre temporariamente e será retirado conforme a função das glândulas paratireóides se restabelecerem.

Reposição Hormonal:

Não há pressa para se iniciar a reposição de hormônios tireoidianos pois o nível de levotiroxina demora a cair na circulação sanguínea. Estes hormônios poderão ser administrados imediatamente ou alguns dias depois da cirurgia.

A cirurgia de tireoidectomia total levará sempre à necessidade de reposição hormonal pós-operatória. A tireoidectomia parcial pode ou não necessitar de reposição. Fatores como a quantidade de tecido tireoidiano remanescente e a presença de doença inflamatória crônica (tireoidite) influenciam na possibilidade do paciente desenvolver hipotireoidismo.

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