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Câncer de Esôfago

1.   O que é o Esôfago?
 
O esôfago é um tubo muscular membranoso e oco que impulsiona, através de contrações involuntárias (peristaltismo), alimentos e líquidos presentes na garganta para o estômago. A parede do esôfago é composta de várias camadas de tecido, incluindo as mucosas, músculo e tecido conjuntivo.
 
Ele é constituído em três partes: uma proximal, uma média e outra distal.
 
2.   Entenda o Câncer de Esôfago

O câncer no esôfago é uma doença no qual células malignas começam a desenvolver-se no revestimento interno do músculo e, dependendo de sua evolução, podem atingir suas outras camadas.
 
O câncer de esôfago representa a 3ª malignidade mais comum do trato gastrintestinal nos Estados Unidos da América, apresentando uma alta taxa de incidência em países como China, Japão, Cingapura e Porto Rico. No Brasil, ele está entre os 10 cânceres mais incidentes e acomete mais homens que mulheres (3 homens para cada mulher)
 
Existem duas formas comuns de câncer de esôfago: o Carcinoma Espinocular e o Adenocarcinoma.
 
O Carcinoma espinocelular (também conhecido como Cacinoma Epidermóide) é um tipo de câncer que se forma a partir de alterações das células escamosas. Ocorre mais freqüentemente na parte inicial e média do esôfago, porém pode ocorrer em todas as regiões do órgão. O carcinoma epidermóide escamoso é responsável por grande parte dos casos de Câncer de Esôfago.
 
O Adenocarcinoma é um tipo de câncer que se forma a partir de alterações das células glandulares. Ocorre mais freqüentemente na parte final do esôfago, perto do estômago. O tipo histológico mais freqüente é o carcinoma de células escamosas, porém, nos últimos anos, a incidência do adenocarcinoma do esôfago tem se elevado dramaticamente, representando, hoje, o tipo histológico mais freqüente em países dos EUA e do oeste europeu. Segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer) sobre a população brasileira, estima-se que em 2010 serão descobertos 10.630 casos novos, sendo 7.890 homens e 2.740 mulheres.
 
3.   Sintomas do Câncer de Esôfago?
 
Apesar de sua fase inicial não apresentar sinais característicos, o progresso da doença já indica demonstra alguns dos sintomas. Esses sintomas podem ser causados por câncer de esôfago ou por outras doenças, mas independente disso, deve-se procurar um médico caso você sentir algum dos sintomas abaixo:
 

Emagrecimento;

Dor Torácica;

Sensação de obstrução na passagem de alimento;

Rouquidão e tosse;

Vômitos;

Perda de Apetite;

Dor para engolir;

Dificuldade para engolir (Disfagia).

 
4.   Como prevenir o Câncer de Esôfago?
 
A prevenção do câncer de esôfago pode ser realizada através de algumas mudanças de hábitos. Há maneiras de adotar atitudes saudáveis que diminuem a exposição ao risco ao câncer de esôfago, como ter uma dieta rica e evitar o consumo freqüente de alguns alimentos.
 
Tabagismo e Álcool: Usar cigarro, charuto, cachimbo, mascar tabaco e ingerir bebidas alcoólicas oferecem um alto risco para o câncer de esôfago. A maioria das pessoas que desenvolvem o Câncer de Estômago é fumante. Logo, a associação álcool e tabaco, tornam o risco de uma pessoa apresentar um câncer de esôfago ainda mais elevado.
 
Alimentação: Tomar sucos naturais e comer várias porções de frutas, legumes e verduras ao dia, são fatores que estimulam a proteção do câncer, pois assim, o corpo recebe uma dieta rica em fibras. A ingestão de vitamina C e Carotenóides (alimentos de cor amarelo, alaranjado, vermelho e verde) é outro fator importante para a proteção. Quanto à ingestão de alimentos, deve-se evitar também o consumo de alimentos defumados.
 
Bebidas Quentes: Deve-se tomar cuidado com o uso excessivo de bebidas quentes como mate, chimarrão e café. Quanto mais freqüente o hábito de consumir os líquidos de alta temperatura, maiores são os riscos de desenvolver câncer de esôfago.
 
5.    Fatores de Risco
 
Além das bebidas quentes, o tabagismo em suas diversas formas e o consumo de álcool, existem algumas condições, fatores e disfunções que podem ser colaborar para a formação de um tumor:
 
Esôfago de Barrett - É o nome dado à alteração que pode ocorrer na parte inferior esôfago, devido à substituição de células originais do esôfago por células semelhantes a do intestino (também conhecida como metaplasia intestinal especializada) O sintoma principal dessa alteração é a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRE), conhecida por sua queimação na “boca do estômago”, atrás do peito, regurgitação, dor ou dificuldade para engolir. Se não tratada por um período prolongado (anos) apresenta um risco de evoluir para câncer de esôfago do tipo adenocarcinoma. Quem possui esses sintomas, deve fazer controles freqüentes dessa porção do esôfago por meio da endoscopia, podendo diagnosticar de forma precoce um possível tumor maligno.  
 
Lesões Cáusticas – São lesões causadas pela ingestão de produtos químicos e sua passagem pelo esôfago.
 
Acalasia (ou Megaesofalo) – Trata-se de uma disfunção neuromuscular no esfíncter (músculo circular) presente no esôfago. Essa alteração gera a dificuldade da passagem do alimento e pode evoluir com uma dilatação do esôfago.
 
HPV – A infecção pelo Papilona Vírus Humano (vírus transmitido pelo contato sexual) pode provocar lesões da pele ou das mucosas. Existem centenas de tipos diferentes de HPV, e cada um deles, individualmente, pode apresentar baixo ou alto risco de causar tumores malignos.
 
Tilose – A tilose é o nome de um distúrbio que causa espessamento da planta das mãos e dos pés. Quem apresenta essa alteração, apresenta chances maiores de apresentar câncer do esôfago (cuja associação recebe o nome de Síndrome de Howel-Evans).    
 
Síndrome de Plummer-Vinson Essa síndrome é gerada por uma anemia com intensa ausência de ferro no organismo, ocasiona o aparecimento de tecidos (estenose) que dificultam a deglutição pelo esôfago (disfagia).
 
Outros - Além desses há fatores de riscos de ordem comportamentais como má higiene bucal, o histórico de câncer de cabeça e pescoço anteriores ou na família ea idade avançada do paciente.  
 
6.   Diagnóstico do Câncer de Esôfago
 
Como demonstrado no item anterior, pessoas que sofrem de Acalasia, Tilose, Refluxo Gastroesofágico, Síndrome de Plummer-Vinson e Esôfago de Barrett têm probabilidade maior de desenvolver um tumor. Logo, é imprescindível que essas realizem exames regulares com seus médicos.
 
O Câncer de Esôfago é geralmente agressivo, levando á infiltrações das células cancerosas nas estruturas vizinhas ao órgão e disseminação para os gânglios linfáticos e metástases (surgimento da doença em órgãos distantes). Esse quadro torna sua detecção precoce através de exames, ainda mais imprescindível.
 
Primeiramente, o médico responsável pela consulta fará um levantamento histórico do paciente para saber dados sobre o fumo, consumo de álcool, hábitos alimentares e aplicará exames físicos. Também será verificado se o paciente sente os sintomas levantados anteriormente (emagrecimento, dificuldade para engolir e eliminação de sangue vivo) e sensações como a da comida estar parada no meio do peito. Para que esses sintomas não se confundam com outras condições, alguns dos testes diagnósticos abaixo provavelmente serão realizados:
 
Radiografia de tórax um Raio-X do peito, para identificar o câncer de esôfago, reproduzindo uma imagem do órgão.  
 
Esofagograma: é uma série de raios-x do esôfago e do estômago. Para realizá-lo, o paciente deve beber um líquido (contraste) que contém uma substância (bário) que os raios-X não conseguem atravessar. Ao não conseguir atravessar o sulfato de bário, os raios-x conseguem reproduzir melhor os órgãos a serem analisados, e na presença de um tumor, sua localização e sua extensão. Este procedimento também é conhecido como seriografia gastrointestinal superior ou EED (seriografia do esôfago, estômago e duodeno).
 
Endoscopia: é um procedimento para examinar o interior do esôfago a fim de verificar áreas anormais. O endoscópio (um instrumento fino, de forma tubular, com uma luz e uma lente para a visão) é geralmente inserido através da boca do paciente, passando pela garganta até o esôfago. Se for encontrada alguma alteração, o médico realizará a coleta de tecido no local para pesquisar os sinais de alguma doença.
 
Biópsia: é a remoção de amostras de células ou tecidos para que possam ser analisados através de um microscópio por um médico patologista para verificar se há sinais de câncer ou algum outro tipo de doença. A biópsia geralmente é feita durante a endoscopia. Às vezes uma biópsia pode mostrar alterações no esôfago que não são propriamente cancerígenas, mas que podem levar ao câncer.
 
7.    Estadiamento do Câncer de Esôfago
 
Além da Radiografia, da Endoscopia, do Esofagograma e a Biópsia utilizadas para o diagnóstico, são feitos outros exames para reconhecer o estágio da doença e planejar o tratamento (estadiamento). Os seguintes exames e/ou procedimentos podem ser utilizados no processo de estadiamento, entretanto nem todos os exames abaixo descritos são necessários a todos os pacientes:
 
Broncoscopia é um procedimento para examinar o interior da traquéia e vias aéreas no pulmão. O aparelho (broncoscópio) é inserido através do nariz ou da boca até a traquéia. É um instrumento em forma de tubo fino, com uma luz e uma lente para a visão. Também pode ter uma ferramenta para remover amostras de tecido (biopsia), que serão usadas para se analisar se há sinais de câncer ou outra doença.
 
Radiografia de tórax: O Raio-X um tipo de raio de energia que pode atravessar o corpo e produzir um “retrato” interno de partes do corpo. O objetivo da radiografia é mostrar os órgãos e ossos dentro do peito para localizar sinais de câncer ou de alguma outra doença.
 
Laringoscopia: Um procedimento em que o médico verifica a laringe (região das cordas vocais) com um espelho ou com um laringoscópio. O laringoscópio é um instrumento fino, em forma de tubo, com uma luz e uma lente para a visão.
 
TC (Tomografia Computadorizada): Exame em que são feitas uma série de imagens detalhadas de áreas no interior do corpo, tomadas de ângulos diferentes. As imagens são feitas por um computador ligado a uma máquina de raios-X. Um contraste pode ser injetado em uma veia ou ingerido para ajudar os órgãos ou tecidos a aparecem mais claramente.
 
Ultrassonografia endoscópica: Um procedimento em que um endoscópio é inserido no corpo, geralmente através da boca. O endoscópio é um instrumento fino, de forma tubular, com uma luz e uma lente para a visão. A sonda na ponta do endoscópio é usada para produzir ondas sonoras de alta energia (ultra-som) e fazer ecos. Os ecos formam imagens dos tecidos do corpo possibilitando a avaliação do médico. Este procedimento também é chamado endossonografia.
 
Toracoscopia: Um procedimento cirúrgico para olhar os órgãos no interior do tórax para verificar áreas anormais. Uma incisão (corte) é feita entre duas costelas e um toracoscópio é inserido no peito. O toracoscópio é um instrumento fino, de forma tubular, com uma luz e uma lente para a visão. Também pode ter uma ferramenta para remover fragmentos de tecido ou amostras dos linfonodos, para pesquisar sinais de câncer ou outras doenças. Em alguns casos, parte de uma cirurgia para tratamento pode ser realizada através desse processo.
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Laparoscopia: Um procedimento cirúrgico para olhar os órgãos dentro do abdômen para checar sinais de doença. Pequenas incisões (cortes) são feitas na parede do abdômen e um laparoscópio (um tubo fino e iluminado) é inserido em uma das incisões. Outros instrumentos podem ser inseridos através das incisões para realizar procedimentos como a remoção de amostras de tecidos para se pesquisar sinais de doença. Pode-se também, em alguns casos, realizar-se parte da cirurgia para tratamento através desse método.
 
PET Scan (Tomografia por emissão de pósitrons scan): Um exame que combina a tomografia computadorizada e uma espécie de cintilografia. Utiliza-se uma substância radioativa (fluordesoxiglicose – FDG) injetada por uma veia e é absorvida especialmente por células tumorais, fazendo com que o câncer possa ser diagnosticado ou analisado com grande precisão.
 
8.   Estágios e Tratamentos do Câncer de Esôfago
 
Cirurgia, radioterapia e quimioterapia serão realizadas de acordo com a avaliação médica. Para tumores iniciais pode ser indicada a ressecção endoscópica (retirada do tumor com acesso pela boca, sem necessidade de cortes). No entanto, este tipo de tratamento é bastante raro. Na maioria dos casos, a cirurgia é realizada. Dependendo da extensão da doença, o tratamento pode ser unicamente paliativo (sem finalidade curativa), através de quimioterapia ou radioterapia.

No leque de cuidados paliativos também pode ser realizada dilatações com endoscopia, colocação de próteses auto-expansivas (para impedir o estreitamento do esôfago) e braquiterapia (radioterapia com sementes radioativas). Abaixo, há a descrição de cada um dos estágios e o seu tratamento indicado.
 
9. Estágios do Tratamento
 
Estágio 0 - Com o carcinoma in situ (forma precoce de tumor)
Tratamento: Cirurgia.
 

Estágio I -

O câncer encontra-se apenas nas regiões mais superficiais do tecido esofágico.
Tratamento: Cirurgia
 
Estágio II - As células cancerosas ocupam áreas mais profundas do esôfago ou atingiram linfonodos próximos, mas ainda não se espalharam para outras regiões do corpo.
Tratamento: Cirurgia
 
Estágio III - O câncer está presente na parede do esôfago de forma profunda ou se espalhou para linfonodos ou tecidos vizinhos.
Tratamento: Cirurgia, Quimioterapia e Radioterapia.
 
Estágio IV - Há presença de metástases à distância. O câncer de esôfago pode se espalhar para praticamente qualquer região do corpo, incluindo o fígado, pulmões, cérebro e ossos.
 
Tratamento:

Colocação de prótese como terapia paliativa para aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Radioterapia convencional com ou sem entubação e dilatação.
Radiação interna (braquiterapia) como tratamento paliativo para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Laser para alívio da dificuldade para comer (terapia foto dinâmica).
Quimioterapia.

 
Três tipos de tratamento padrão são usados:
 
Cirurgia
 
Esofagectomia: Um segmento (parte) do esôfago é retirado e o estômago é puxado para cima, juntando-o ao restante do esôfago que não foi retirado. O cirurgião irá emendar a parte restante saudável do esôfago com o estômago para que o paciente possa comer. A cirurgia é o tratamento mais comum para o câncer de esôfago.
 
Quando não é possível utilizar o estômago, parte do intestino também pode será usada para fazer a conexão. Uma outra maneira para fazer com que o paciente possa se alimentar novamente, quando não é possível realizar o tratamento por cirurgia, é através da colocação de uma prótese (tubo) no esôfago, geralmente feita de metal expansível (Stent) para ajudar a mantê-lo aberto.
 
Radioterapia
 
A radioterapia radiação para matar células cancerígenas ou Impedí-las de crescer. Existem dois tipos de radioterapia. A terapia de radiação externa, a mais comum, utiliza uma máquina para enviar radiação para o câncer. Na terapia de radiação interna (braquiterapia) a substância radioativa é colocada diretamente em contato com o tecido tumoral.
 
Quimioterapia
 
Quando a quimioterapia é  injetada em uma veia ou músculo, os fármacos entram na corrente sangüínea e podem atingir as células cancerosas por todo o corpo (quimioterapia sistêmica). Quando a quimioterapia é colocada diretamente na coluna vertebral, um órgão ou uma cavidade do corpo, como o abdômen, as drogas afetam principalmente as células do câncer nessas áreas (quimioterapia regional). A forma como a quimioterapia é dada depende do tipo e estágio do câncer a ser tratado.
 
 
10.  Que tipo de cuidado especial o paciente deve ter durante o tratamento de Câncer de Esôfago?
 
Os casos de câncer de esôfago necessitam de algumas atenções nutricionais, pois muitos pacientes apresentam dificuldade para alimentação. Devido ao estreitamento do esôfago pelo tumor ou devido ao efeito colateral do tratamento, alguns pacientes podem necessitar receber nutrientes diretamente em uma veia ou podem precisar de um tubo de alimentação (um tubo de plástico flexível que é passada através do nariz até o estômago), até que eles possam ser capazes de comer sem auxílio.